terça-feira, 27 de maio de 2014

Inércia.

Você não tem ninguém. 
Não se sente preso a ninguém, não mais.
É bom acordar todas as manhãs, despreocupado com questões amorosas que outrora já lhe fizeram sofrer. Você até enxerga o mundo de maneira mais sensata, consegue organizar pensamentos de forma mais simples e prática.
Leva o dia como ele deve ser levado: sem aborrecimentos, sem estresses, sem ânsias que antes remoíam seu estômago.
As coisas já estiveram tão piores.

Você não tem ninguém.
Não se sente preso a ninguém, não mais.
É tão ruim ir dormir todas as noites com a certeza de que não tem uma pessoa, em algum canto, rezando pelo seu bem estar ou, pelo menos, pensando em você. O mundo parece girar sem emoção, sem êxtase. 
Os dias parecem que são levados de um jeito que não deveriam ser: sem novidades, sem o nervosismo e adrenalina que só um amor pode proporcionar.
Mas tudo bem, as coisas poderiam ser piores.

 
 

sábado, 12 de abril de 2014

Ciclo.

Você se lembra do seu primeiro amor platônico? Aquela pessoa que era a mais bonita, ou engraçada ou diferenciada da turma. Você se lembra como acordar cedo todos os dias valia a pena por conta daquela única pessoinha, que você, de longe, admirava e desejava abraçar?
Lembra como você achava que sofria?
Quando chegava em casa, frustrado por não ter conversado com ela, por ter deixado passar a oportunidade de se aproximar daquela pessoa que você julgava tão interessante.
Lembra quantas canções você associou a ela? Canções em outro idioma em que você nem entendia o significado mas que a melodia fazia você pensar nela.
Admita que você imaginava, antes de dormir, vocês dois andando de mãos dadas no pátio da escola, com todos os colegas de classe vendo e comentando. E se vocês se beijassem? Será que ela gostaria do beijo?
Eram tantas novas dúvidas. Você tinha certeza de que nunca tinha sentido algo assim por ninguém.

Pois então a infância passou. 
E você nem se lembra mais quem foi a primeira pessoa que você gostou. 
E agora parece tão patético a maneira como ficávamos chateados por pessoas que nunca ao menos chegamos a ter conversas duradouras.

Você agora conhece a verdadeira dor de amar alguém. Agora se lida com sentimentos reais, palpáveis e a corrosão dentro do seu peito é algo que você não consegue explicar porque sabe que palavras não são capazes de descrevê-la.
Foram tantos momentos e lembranças com esta pessoa. Tantas primeiras vezes. Tantas coisas que você descobriu ao lado dela, vivenciou ao lado dela, experimentou ao lado dela... Era sua primeira experiência real com alguém e você simplesmente perdeu.
Você tem certeza que nunca sentiu algo assim por alguém.

Amanhã, ou talvez daqui a algumas semanas (ou meses), você vai acordar mais velho e mais experiente e vai se apaixonar por outra pessoa e, com ela, vai saber de coisas que antes você não sabia.
Você vai rir de uma forma que você nunca tinha rido antes e vai conversar sobre assuntos que você nunca imaginou que um dia estaria conversando sobre.
Vai evoluir um sentimento tão grande que você vai se esquecer que antes estava sofrendo por alguém.
E suas experiências passadas vão te levar a tomar outras decisões neste relacionamento novo. E vai ser uma relação mais madura e íntima.
Você vai se sentir tolo por ter chorado e sofrido por tanto tempo por alguém que, claramente, não era a pessoa certa pra ti.
Depois de tanto sofrer e cair, você soube como se levantar e como peneirar as coisas na vida... Então,  você terá certeza de que você nunca vai se sentir tão bem ao lado de alguém como você se sentirá ao lado desta próxima pessoa.
Mas ela vai te largar.
E você lamenta por perder o amor da sua vida.

Mas depois de alguns shots do seu mais novo melhor amigo, o álcool (que, agora você descobriu que é o remédio para muitas coisas), você vai conhecer outra pessoa.
E vai viver coisas inéditas com ela.
E vai olhar pro passado e ver que nada se compara ao momento atual.

Pois a gente sempre se apaixona de novo.
Sempre tem alguém.
E sempre terá.